A palavra «universidade», universitas, não teve a princípio o sentido de universitas facultatum, ou seja, de escola onde todas as disciplinas eram professadas. O significado na Idade Média, e nessa aceção utilizou-se para designar as corporações de mestres e de escolares – universitas magistrorum et scholarium. A bula de Nicolau IV, de 9 de agosto de 1290, de confirmação da universidade portuguesa. Posteriormente, aparece nos documentos a expressão studium generale aplicada às universidades, e a partir de meados do século XIII torna-se, por assim dizer, o título oficial. 

As negociações empreendidas em 1288, encontram-se numa carta dirigida ao papa Nicolau IV, por alguns prelados de mosteiros e reitores de igrejas seculares. No documento datado de 12 de novembro de 1288, o abade de Alcobaça, os priores dos mosteiros de Santa Cruz e de S. Vicente, os de Santa Maria de Guimarães e de Santa Maria de Alcáçova de Santarém, bem como os reitores de 21 igrejas de vários lugares do reino, declaravam terem deliberado e assentado, conjuntamente com outros prelados, religiosos e seculares. A Universidade veio a ser fundada por D. Dinis antes que o pontífice concedesse oficialmente a autorização.

A quem pertenceu a iniciativa da fundação da Universidade? A tomar à letra a súplica ao pontífice essa honra cabe unicamente aos superiores de conventos e aos eclesiásticos que a assinaram, pois expressamente declararam terem feito a proposta da sua criação a D. Dinis. A universidade portuguesa nasceu, pois, provavelmente dum plano elaborado por eclesiásticos e religiosos, graças a generosidade de D. Dinis. A súplica de 1288 foi provavelmente enviada a Nicolau IV, ficou ao que parece, sem resposta. D. Dinis resolveu não esperar mais pela anuência oficial do pontífice. Por solene diploma datado de Leiria, em 1 de março de 1290, o rei anunciou a fundação da universidade.

Fonte:

Luís Reis Torgal, «As Universidades em Portugal, uma síntese histórica»_1ª parte in Luís Reis Torgal, Angelo Brigato Ésther, Que Universidade? Interrogações sobre os caminhos da Universidade, 2014, pp. 21-26

Mário Brandão e Manuel Lopes de Almeida, A Universidade de Coimbra: Esbôço Da Sua História

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